O QUE É O ESPIRITISMO

Para obter a resposta mais completa à pergunta acima formulada, é necessário que se recorra ao O Livro dos Espíritos, que é o próprio delineamento, núcleo central e, ao mesmo tempo, arcabouço geral da Doutrina Espírita.

 

Examinando este livro, em relação às demais obras de Kardec que completam a Codificação, veremos que todas elas partem das bases de O Livro dos Espíritos. As ligações de conteúdo entre esses livros, quais sejam, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Livro dos Médiuns, A Gênese, O Céu e o Inferno, deixam perceber que a Codificação se apresenta como um todo homogêneo e conseqüente.
 
Após 150 anos de sua publicação, O Livro dos Espíritos continua sendo tão sólido e atual como nos primeiros dias, sem ter sido abalado pelo progresso tecnológico das ciências materiais do mundo porque, como diz Kardec, o Espiritismo é uma doutrina progressista e aberta.


É Ciência, porque se trata de um conjunto organizado de conhecimentos relativos a certas categorias de fatos ou fenômenos analisados empiricamente, catalogados e relatados por seus pesquisadores, representado pelo O Livro dos Médiuns. Diz Kardec, “a fé sólida é aquela que pode encarar a razão, face a face.”

 

É Filosofia, quando, inserido no contexto filosófico tradicional, embora de cunho evolucionista e metafísico, pontua a necessidade do ser humano ir em busca de seu autoburilamento, estimulando-o à averiguação de respostas às questões magnas da Humanidade: sua natureza, sua origem e destinação, seu papel perante a Vida e o Universo. Diz Kardec, “nascer, viver, morrer e renascer de novo, progredindo sempre, tal é a lei.”

 

É Religião, porque tem o dom de unir os povos em um ideal de fraternidade, preconizado por Jesus de Nazaré, permitido, dessa forma, que o ser humano se encontre com o próprio Criador. Diz Kardec, “fora da caridade não há salvação.”

 

 Fontes: Livro: O que é  o Espiritismo? - Allan Kardec

CONCEITOS BÁSICOS

 

DEUS

"Deus é a inteligência suprema, causa pimária de todas coisas".

( Allan Kardec )

 Assim:

 

DEUS É ETERNO.

É IMUTÁVEL.

É IMATERIAL.

É ÚNICO.

É TODO-PODEROSO.

É SOBERANAMENTE JUSTO E BOM.

 

JESUS

O guia e modelo, O amado mestre, O espírito mais perfeito que já passou pela Terra, O Governador espiritual do Plano Terrestre.

Para o Espiritismo, Jesus é o modelo de ser humano mais perfeito que Deus ofereceu, para nos servir de guia.

Neste sentido Allan Kardec afirma que, "para o homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra.

Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor, porque, sendo ele o mais puro de quantos têm aparecido na Terra, o Espírito Divino o animava".

 

KARDEC

A base fundamental.

 

ESPÍRITO

O espírito nada mais é que a alma após o seu desligamento dos laços que aprendem ao corpo carnal.

Esse desprendimento se dá com o enfraquecimento do princípio vital, que é o responsável pelo agregamento do perispírito ao corpo.

 

PERISPÍRITO

É também conhecido como corpo fluídico dos Espíritos e que une o corpo e o Espírito, é uma espécie de envoltório  semimaterial.

A matéria que constitui o corpo físico e o perispírito é um dos mais importantes produtos do fluido cósmico. 

O corpo perispirítico e o corpo carnal têm, pois, origem no mesmo elemento primitivo; ambos são matéria, ainda que em dois estados diferentes.”

 

FLUIDO  UNIVERSAL

"Há um fluido etéreo que enche o espaço e penetra os corpos. Esse fluido é o éter ou matéria cósmica primitiva, geradora do mundo e dos seres. São-lhe inerentes as forças que presidiram às metamorfoses da matéria, as leis imutáveis e necessárias que regem o mundo."
(Allan Kardec: A gênese, cap. 6, item 10.)
"A matéria cósmica primitiva continha os elementos materiais, fluídicos e vitais de todos os universos que estadeiam suas magnificências diante da eternidade. Ela é a mãe fecunda de todas as coisas, a primeira avó e, sobretudo, a eterna geratriz."
(Allan Kardec: A gênese, cap. 6, item 17.)

 

 

FLUIDO VITAL

Fluido Vital é o princípio da vida material e orgânica, seja qual for sua fonte. É comum à todos os seres vivos desde as plantas até o ser humano.

O fluido vital é o mesmo que o fluído elétrico animalizado, designado, também, sob os nomes de fluído magnético, fluido nervoso, etc.

A quantidade de fluido vital nao é fator absoluto para todos os seres orgânicos; varia segundo as espécies e, não é fator constante seja no mesmo indivíduo, seja nos indivíduos da mesma espécie.

Existem alguns que são,  por assim dizer, saturados, enquanto outros dispõem apenas de uma quantidade suficiente; daí, para alguns, a vida é mais ativa, mais vibrante e, de certo modo, superabundante.

 

AUSÊNCIA DE RITUAIS

As verdades da Doutrina espírita se fundamentam em bases filosóficas, são demonstradas de forma científica e se desdobram em consequências religiosas.

Não tem sacerdotes e não adota e nem usa em suas reuniões e em suas práticas: altares, imagens, andores, velas, procissões, sacramentos, concessões de indulgência, paramentos, bebidas alcólicas ou alucinógenas, incenso, fumo, talismãs, amuletos, horóscopos, cartomancia, pirâmides, cristais, búzios ou quaisquer outros objetos, rituais ou formas de culto exterior.

O Espiritismo não impõe seus princípios. Convida os interessados em conhecê-los a submeter os seus ensinos à razão ante de aceitá-los.

 

PRECE E ORAÇÃO 

A Prece é um apoio para a alma; contudo, não basta: é preciso que tenha por base uma fé viva na vontade de Deus. ( ESE cap.5 - item 8 ).

A prece é uma ato de adoração.

Três coisas podemos propor-nos por meio da Prece: louvar, pedir, agradecer ( L.E. Cap.3 - 659 ).

Orar a Deus é pensar Nele, é por-se em comunicação com Ele.

A Oração não é palavra, é sentimento. Um olhar da alma fixo no Céu, vale mais que mil orações rotineiras. ( Amélia D. Solér ).

 

MEDIUNIDADE

A mediunidade, que permite a comunicação dos Espíritos com os seres humanos, é uma faculdade que muitas pessoas trazem consigo ao nascer, independentemente da religião ou da diretriz doutrinária de vida que adote.

A prática mediúnica espírita só é aquela que é exercida com base nos princípios da Doutrina Espírita e dentro da moral cristã.

 

REENCARNAÇÃO

Reencarnar diz respeito aos renascimentos sucessivos do Espírito:

Assim, Deus impõe aos seres humanos a “encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição.

 A reencarnação é aceita como lei natural, que favorece a evolução do Espírito.

Em cada existência corpórea, o Espírito recebe oportunidades para reparar equívocos cometidos em existências anteriores e para desenvolver novos aprendizados.

Cada reencarnação é precedida de um planejamento, que permite ao reencarnante renascer no meio propício e junto a pessoas onde se faz necessário desenvolver aprendizados e os acertos espirituais.

"Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei".

  Allan Kardec

 

O ESPIRITISMO E AS OUTRAS RELIGIÕES

O Espiritísmo aceita todas as religiões e doutrinas, valoriza todos os esforços para a prática do bem e trabalha pela confraternização e pela paz entre os povos e entre todas as pessoas, independentemente de sua raça, cor, nacionalidade, crenca, nível cultural ou social. Reconhece, ainda que " O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a Lei da justiça, do amor e da caridade, na sua maior pureza."

O estudo das Obras de Allan Kardec é fundamental para o correto conhecimento da Doutrina Espiríta.

 

"Que eu jamais me esqueça que Deus me ama infinitamente, que um pequeno grão de alegria e esperança dentro de cada um é capaz de mudar e transformar qualquer coisa, pois...
A vida é construída nos sonhos e concretizada no amor."

Chico Xavier

 

 

 

 

 

 

 

O SURGIMENTO DO ESPIRITISMO

Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento;
instruí-vos, este o segundo.
(O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 6, item 5 )

 

O Espiritismo surgiu na França, no ano de 1857, após minuciosos estudos e profundo trabalho de investigação desenvolvidos por Hippolyte Léon Denizard Rivail, que mais tarde passaria a utilizar o pseudônimo Allan Kardec. ( Veja Biografia de Allan Kardec )

 

Allan Kardec era pedagogo, autor e tradutor de diversas obras dedicadas ao ensino. Homem culto, podia facilmente exprimir-se em francês, sua língua mãe e também em alemão, inglês, holandês, italiano e espanhol. Era bacharel em Letras e emc iências. Como educador, lecionou Química, Matemática, Astronomia, Física, Fisiologia, Retórica, Anatomia Comparada e Francês.

 

Dotado de poderoso senso crítico e espírito investigativo, dedicou-se ao estudo de fenômenos atualmente conhecidos como paranormais ou parapsíquicos. Inicialmente, empenhou sua atenção em um fenômeno conhecido como "Mesas Girantes", que consistia no movimento involuntário de mesas e outros objetos pesados em torno dos quais reuniam-se várias pessoas. Tais fenômenos tornaram-se objeto de curiosidade e divertimento para a sociedade européia da época.

 

Kardec concluiu que tais fenômenos possuíam origem inteligente e que eram provocados por seres humanos que viveram na Terra, a quem chamamos "mortos" e que depois ele chamaria de “desencarnados”. Estes espíritos vivem em outras dimensões, fora do alcance de nossas percepções, que chamou de "Mundo dos Espíritos". Verificou ainda que, para que estes espíritos pudessem se manifestar e atuar sobre a matéria, era necessária a presença de certas pessoas, que lhes serviam de intermediário. A estas pessoas Kardec chamou de médiuns.

 

Através de seus estudos sobre manifestações conhecidas como psicografia ou escrita mediúnica, Allan Kardec dedicou-se à estruturação de uma proposta de compreensão da realidade baseada na orientação dos espíritos. Nascia então a Doutrina Espírita.

 

Fonte: Cavalcante, José Benevides (2011), Fundamentos da Doutrina Espírita. Capivari-SP, Editora EME.

A HISTÓRIA DO ESPIRITISMO NO BRASIL

História do Espiritismo no Brasil

 

O objetivo deste trabalho é buscar as origens do Espiritismo no Brasil e sua trajetória através do tempo.

O roteiro para este estudo é: O cenário internacional, primeiros passos do Espiritismo no Brasil, a fundação da FEB e alguns aspectos do movimento espírita na atualidade.

 

O livro de Arthur Conan Doyle, The History of Spiritualism, traduzido como A História do Espiritismo, relata a seqüência dos fenômenos mediúnicos ocorridos entre o Século XVIII e meados do Século XX.


Diz-nos que os espíritas tomaram oficialmente a data de 31 de março de 1848 — Fenômeno de Hydesville, em que duas crianças ( As irmãs Fox ) através da mediunidade se comunicavam através de pancadas, com um Espírito já desencarnado — como começo das coisas psíquicas, porque o movimento foi iniciado naquela data.

Entretanto não há época na história do mundo em que não se encontrem traços de interferências preternaturais e o seu tardio reconhecimento pela humanidade.

 

Uma data deve ser fixada para início da narrativa e, talvez, nenhuma melhor que a da história do grande vidente sueco Emmanuel Swedenborg (1688-1772),  grande autoridade em Física e em Astronomia, autor de importantes trabalhos sobre marés e sobre a determinação das latitudes.

Era zoologista e anatomista. Financista e político.


Finalmente, era um profundo estudioso da Bíblia. Dizia que "todas as afirmações em matéria de Teologia são, como sempre foram, arraigadas no cérebro e dificilmente podem ser removidas; e enquanto aí estiverem, a verdade genuína não encontrará lugar".

 

A história de Edward Irving  (1792-1834), ministro presbiteriano, e sua experiência entre 1830 e 1833, é de grande interesse para a construção do pilar histórico do Espiritismo. Edward Irving, embora pertencesse àquela mais pobre classe de trabalhadores braçais escoceses, pregou carismas e dons miraculosos (curas e línguas estranhas) junto à Igreja à qual pertencia. Fato este que o tornou famoso.

 

Andrew Jacson Davis (1826-1910), profeta da nova revelação, com sua clarividência acurada, antecipou o famoso episódio de Hydesville.

 

O fato mediúnico marcante, após o episódio de Hydesville, é o fenômeno das mesas girantes, que assolou os Estados Unidos e a Europa, servindo de brincadeiras de salão, quando as mesas dançavam, escreviam batiam o pé e até falavam. É dentro desse contexto que surge a Doutrina Espírita.

 

Das brincadeiras de salão, surge Hypollyte Leon Denizard Rivail — Allan Kardec—, um estudioso do magnetismo e do método teórico experimental em ciência. O magnetismo já vinha sendo estudado há algum tempo.

 

Historicamente, Mesmer descobre, em 1779, o magnetismo animal, Puysegur, em 1787, o sonambulismo e Braid, em 1841, o hipnotismo.


Havendo uma disseminação muito grande dos fenômenos das mesas girantes, Kardec, ainda Hipollyte, foi convidado para assistir a uma dessas sessões, pois o seu amigo Fortier, magnetizador, dissera que além da mesa mover-se ela também falava.

É aí que entra o gênio inquiridor do pesquisador teórico experimental. Assim, retruca: só se ela tiver cérebro para pensar e nervos para sentir e que possa tornar-se sonâmbula.

A partir daí, começa a freqüentar essas sessões, e como o resultado de suas pesquisas surge o dos O Livro dos Espíritos, publicado em 1857 - Paris. 

( Leia: " Como surgiu o Espiritismo" ).

No Brasil as ideias que darão origem ao espiritismo remontam às primeiras experiências com o chamado "fluido vital" (magnetismo animal ) por parte dos praticantes da homeopatia.


Entre as personalidades que se interessaram pelo estudo do "fluido vital" destacam-se José Bonifácio, o patriarca da Independência, também cultor da homeopatia, e Mariano José  Pereira da Fonseca (Marques de Maricá), que, em 1844, publicou uma obra com ensinamentos de fundo espírita.

( Revista O Reformador de 1994 - pag.207)


O grupo mais antigo desses estudiosos e praticantes constituiu-se no Rio de Janeiro em torno da figura do médico e historiador Melo Moraes

( Rev. O Reformador - 1. Maio 1883 ) sendo integrado por Pedro de Araújo Lima,(Marques de Olinda) Bernardo Jose da Gama (Visconde de Goiania), José cesário de Miranda Ribeiro (Visconde de Uberaba) e outros vultos do Segundo Reinado.

 

Afirma-se que a história do espiritismo no Brasil remonta ao ano de 1845, quando, no então distrito de Mata de Sao Joao, Bahia, teriam sido registradas as primeiras manifestações.

De acordo com Divaldo Pereira Franco, o ano teria sido 1849, tendo se caracterizado por um confronto entre Membros da Igreja Católica e espíritas, com a interveniência de força policial.

 

Em 1863 o Espiritismo já era comentado com seriedade e o "Jornal do Commércio", maior órgão da imprensa da Capital do Império, publicou em 23 de setembro, artigo favorável à nova Doutrina.

 

Os primeiros centros espíritas, nos moldes preconizados por Kardec, surgem na Bahia ( Grupo Familiar do Espiritismo) por Teles de Menezes, no Rio de Janeiro e em outros estados, a partir de 1865.


A primeira sessao espírita realizada no Brasil é datada de 17 setembro de 1865.

No ano seguinte (1866), em Sao Paulo, a  foi publicado pela Tipografia Literária " O Espiritísmo reduzido a sua mais simples expressao", de

 Allan Kardec, sem indicação de tradutor.

 

Em julho de 1869, em Salvador, iniciou-se a publicação da revista "O Écho d´ Àlém-Túmulo"", sob a direção de Teles de Menezes.
Mais tarde, em novembro de 1873, fundou-se em Salvador a Associacao Espírita Brasileira continuação do "Grupo Familiar do Espiritismo" e, no ano seguinte (1874), na mesma cidade, alguns membros dessa Associação fundaram o "Grupo Santa Teresa de Jesus".

 

Ao grupo surgido em 2 de agosto de 1873- Sociedade Grupo Confúcio,de curta existência, deve-se, no entanto, a tradução das obras de Kardec, por Joaquim Carlos Travassos (Fortúnio); a primeira assistência gratuita homeopata; a primeira revelação do Espírito Guia do Brasil- o Anjo Ismael. 

( Maiores informacoes sobre o Anjo Ismael no Livro " Brasil Coracao do mundo, Pátria do Evangelho", de Humberto Campos - Psicografia de Chico Xavier.

 

Em 2 de janeiro de 1884 é fundada a FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA. A iniciativa coube a Augusto Elias da Silva, que recebeu o apoio de

Ewerton Quadros,  Xavier Pinheiro,  Fernandes Figueira,  Silveira Pinto e outros. 

Interessante que, apesar de sua denominação-Federação- não contava a instituição com qualquer filiação de outras entidades. Evidente que seus objetivos projetavam-se no futuro, sendo seus fundadores os instrumentos de um plano maior da Espiritualidade.

 

O fato de maior significação nos anais do espiritismo foi, sem dúvida, a adesão do eminente político, médico e católico, Dr. Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, que presidiu a Federação nos anos de 1888-89. A união dos espíritas, tão desejada por Bezerra de Menezes, via-se prejudicada pela divergência entre "místicos"e científicos".

 

Após a Proclamação da República em 1889, surge o novo Código Penal (1890) no qual o ESPIRITISMO era enquadrado como " transgressão à lei, em alguns de seus dispositivos dúbios".

 

Finalmente, em 24 de fevereiro de 1891, a Constituição Republicana, constituiu o Estado leigo, sem os liames que o ligavam à Igreja Católica. Como conseqüência o Espiritismo e todas as religiões praticadas no Brasil, foram favorecidas.

 

Bezerra de Menezes assume a presidência da Federação Espírita Brasileira, é empossado em 3 de agosto de 1895.

 

Em 1897 são transferidos para a FEB os direito autorais, para língua portuguesa, de todas as obras de Kardec, fato de suma importância para a difusão da Doutrina Espírita no Brasil.

 

Bezerra de Menezes falece no dia 11 de abril de 1900, após quatro anos e meio de intenso trabalho deixando a FEB consolidada.

O período de 1905 a 1930 é de grande expansão do Movimento Espírita.

 

1930 - 1959

O espaço de tempo ocupado pelos anos de 1930 a 1950 tem especial significação na vida da Instituição.

Crescera o Movimento Espírita com a fundação de inúmeros Centros espalhados por todo o território nacional.

Alguns jornais e revistas faziam a divulgação, secundando o trabalho nas tribunas das casas espíritas.

 

Desde 1891 cogitara-se da ideia de montagem de uma oficina para a impressão de Reformador e de obras de propaganda.

Passavam-se os anos e a ideia era acalentada, e adiada por falta de recursos.

 

Guillon Ribeiro, presidente eleito novamente em 1930, reviveu o projeto e transformou-o em realidade.

Em 4 de novembro de 1939 estava instalada pequena gráfica no térreo da Avenida Passos, 30, fundos, passando a editar livros e o mensário da Casa.

 

A obra de Guillon Ribeiro marcou profundamente a vida da Federação. Presidente no ano de 1920 a 1921, seu segundo mandato durou de 1930 a 1943, em sucessivas reeleições.

Ocupou praticamente todos os cargos da direção, antes de 1930. Como Diretor de Reformador, todos os serviços da revista passavam por suas mãos.

Suas traduções das obras da Codificação tornaram-se definitivas na FEB, pela segurança e confiança inspiradas, contando-se hoje por milhões de exemplares, em sucessivas reedições.

Grande conhecedor da língua francesa, sabendo igualmente o inglês, o italiano e o espanhol, seu trabalho prima pela fidelidade ao pensamento original e pela beleza da forma no vernáculo, o que lhe dá primazia incontestada entre os demais tradutores.

 

Foi em sua gestão que começaram a ser editados os livros de Francisco Cândido Xavier, o primeiro dos quais, Parnaso de Além-Túmulo, em 1932, causou verdadeiro impacto nos meios culturais brasileiros.

Essa obra poética, que confundiu os céticos e agraciou os adeptos ao Espiritismo, seria apenas o prelúdio de uma torrente imensa vazando da Espiritualidade para os homens, a lhes reafirmar a chegada dos tempos.

 

Pela mediunidade de Chico Xavier vieram à luz, nessa fase, as obras de Emmanuel A Caminho da Luz, síntese histórica da Terra; Emmanuel”, ensaio sociológico; os romances históricos Há dois Mil Anos, 50 Anos Depois e Paulo e EstevãoConsolador; a série Caminho, Verdade e VidaPão NossoVinha de Luz e Fonte Viva (1956), além de diversos outros livros edificantes.

 

A partir de 1943, com Nosso Lar, novo autor espiritual se apresenta pelo médium de Pedro Leopoldo, marcando uma nova fase com suas revelações da vida, com seus pormenores das esferas espirituais próximas à Crosta Planetária: André Luiz.

A série de seus livros — Nosso LarOs Mensageiros, Missionários da Luz, Obreiros da Vida Eterna, No Mundo Maior, Libertação, Ação e Reação, Evolução em dois Mundos e outros — caracteriza-se pela originalidade, despertando enorme interesse no espírito dos estudiosos.

 

A grande demanda de livros espíritas indicava claramente a expansão do Movimento.

Guillon Ribeiro, grande colaborador, retornava à Pátria Espiritual em 1943.

 

Sucedeu-o na presidência Antônio Wantuil de Freitas, que já vinha colaborando na administração de Guillon há cerca de 10 anos.

Pelo que ficara acordado inicialmente entre os responsáveis pela direção da Casa, Wantuil de Freitas deveria servir no cargo apenas pelo período de um ano. Entretanto, reconduzido sucessivas vezes, presidiu a Casa de Ismael durante 27 anos, o mais longo período presidencial em toda a vida da Instituição.

 

Deve-se a Wantuil de Freitas, com seu largo tirocínio administrativo e impressionante intuição dos acontecimentos futuros, a sólida estrutura montada na FEB para servir à Doutrina e ao Movimento.

 

Compreendendo que a Espiritualidade realizava sua parte, lançou-se à tarefa de dotar a FEB de uma editora à altura das necessidades.

Ajudado por uns poucos companheiros, conseguiu instalar o Departamento Editorial, em 1948, com a aquisição, em 1946, no bairro de São Cristóvão, de velhas casas que fez demolir para a construção, numa primeira etapa, de amplo edifício.

Novas construções inauguradas em 1961 e 1968, na Rua Figueira de Melo e na Rua Souza Valente, complementaram a grande oficina de trabalho agora funcionando com duas entradas: Rua Figueira de Melo, 410 e Rua Souza Valente, 17, constituindo hoje a sede do Departamento Gráfico e de parte do Departamento Editorial.

O planejamento e estrutura desses dois Departamentos, com previsão de futura expansão, devem ser creditados ao esforço e à visão do presidente Wantuil de Freitas, que superou obstáculos sem conta para levar avante sua missão.

 

PÁCTO AUREO

No dia 5 de outubro de 1949,(...) houve, na sede da Federação Espírita (Roustainguista) Brasileira, no Rio de Janeiro, “uma reunião entre os seus diretores e vários representantes de Federações e Uniões de âmbito estadual”.

Conforme foi registrado na ata dessa reunião, que foi presidida pelo Sr. Antonio Wantuil de Freitas, Presidente da FEB, foi aprovado um documento com dezoito ítens, sendo que, no primeiro consta o seguinte: “Cabe aos espíritas do Brasil porem em prática a exposição contida no livro “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, de maneira a acelerar a marcha evolutiva do Espiritismo”.

No segundo ítem, ficou decidido que a FEB criará um Conselho Federativo Nacional permanente, com a finalidade de executar, desenvolver e ampliar os planos da sua atual Organização Federativa”, cabendo a cada Sociedade de âmbito estadual indicar um membro de sua diretoria para fazer parte desse Conselho.

Os interessados em conhecer, na íntegra, todo o teor da ata dessa reunião, bem como saber, quais foram os seus integrantes, podem recorrer ao “Reformador”, edição de fevereiro de 1997.

( O reformador, poderá ser baixado gratuitamente através do Site da Biblioteca Virtual Espírita

( clique no Link direto em nossa página de Links ).

 

 

A CARAVANA DA FRATERNIDADE

Após a instalação do Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira, na sede da FEB, a lº de janeiro de 1950 - como desdobramento do Pacto Áureo -, havia a necessidade de se contar com o apoio e a participação dos estados que não haviam firmado o histórico documento.

 

Nesta obra, Leopoldo Machado relata a histórica viagem aos estados do Norte e do Nordeste do país, realizada entre outubro e dezembro de 1950.

 

Este movimento de aproximação, conhecido como "Caravana da Fraternidade", foi organizado por alguns signatários do Pacto Áureo.

 

Os caravaneiros Artur Lins de Vasconcelos (PR), Carlos Jordão da Silva (SP), Francisco Spinelli (RS), Ary Casadio (SP) e Leopoldo Machado (BA) saíram do Rio de Janeiro, no dia 31 de outubro de 1950, com destino a Salvador.

Lins de Vasconcelos regressou de Recife, sendo substituído pelo confrade pernambucano Luiz Burgos Filho.

Ary Casadio voltou de Fortaleza.

Os demais caravaneiros seguiram até Belém e somente Leopoldo Machado e Luiz Burgos Filho foram a Manaus.

A "Caravana da Fraternidade" dissolveu-se após visita ao médium Chico Xavier, que, na oportunidade, psicografou mensagens de Emmanuel e Amaral Ornellas.

 

 

Fontes:

Wikipédia, Centro Espírita Ismael-SP, 

Federação Espírita Brasileira,

"O Franco Paladino",

Livros: "Brasil Coração do Mundo, Pátria do Evangelho" de Humberto Campos - Psicografado por Chico Xavier,

" A História do espiritismo " de Arthur Conan Doyle - Pensamento.                                 

 

                                           *********************

 

 

 

Livro: A Caravana da Fraternidade de Leopoldo Machado
Druckversion Druckversion | Sitemap
© 2015 Spiritistische Gruppe Livia Lentulus